Confraria do Santíssimo Sacramento

Fundada no ano de 1515, a irmandade do Santíssimo sacramento tem por finalidade congregar pessoas para uma maior disposição de adoração à Eucaristia. Contudo, de acordo com relatos muito antigos, passou a dedicar-se com especial cuidado à celebração da Paixão de Cristo concentrada nas cerimónias da Quaresma e Semana Santa.

   

 Terá sido entidade dinamizadora, espécie de casa bancária, duma terra (região Sande e circundante ), como se pode comprovar pela edificação da torre da igreja paroquial construída no ano de 1791 a expensas conjuntas desta irmandade e da irmandade da Senhora do Rosário. Esta torre ergue bem no alto 4 sinos, um deles propriedade desta confraria, outro da confraria da Senhora do Rosário, outro da confraria das Almas e outro, o maior, o sino da freguesia. A morte de qualquer irmão da confraria do Santíssimo Sacramento conferia-lhes (só a eles), até há pouco tempo atrás, o direito a ter o toque de todos os sinos. Pelos empréstimos concedidos eram estabelecidos 'foros' (rendas ou juros) pagos por prazos fixos ou vitalícios sobre um determinado imóvel (espécie de hipoteca). Um destes 'foros', o último que se manteve até há cerca de 11 anos atrás, impendia sobre o Campo do Moinho, da quinta de Bergadela, em Santa Cristina de Longos. O seu valor era de 120esc/ano (cerca de 0,60Euros).

 

Os seus estatutos que se conhecem datam do ano de 1720 e foram aprovados por bula papal de Sua Santidade o Papa Clemente XI. A única revisão que se conhece data de 20 de Outubro de 1994.

 

A 'Casa do Senhor, edificação que se ergue ao lado da igreja paroquial, é a construção que alberga toda a riqueza de uma história e onde se guardam as relíquias que permitem as celebrações da Quaresma e Semana Santa e que são o orgulho desta terra.

 

Estas cerimónias, com centenas de anos de tradição, realizam-se anualmente e assentam em figuras, imagens e alfaias sacras seculares.

 

Em todos os Domingos da Quaresmas, realiza-se um sermão e uma via-sacra na igreja paroquial e na sua tribuna descerra-se um cenário de imagens alegóricas a cenas da Paixão.

 

DOMINGO DE RAMOS. Aqui começa a Semana Santa com a celebração eucarística matinal, e no fim, em procissão automóvel, é transportada a imagem da Senhora da Soledade para o local, onde da parte da tarde se realizará o SERMÃO DO ENCONTRO - momento único de emoção em que a mãe (Senhora da Soledade) se encontra com seu Filho, Jesus Cristo (o Senhor dos Passos) no caminho que percorre para o Calvário. È uma procissão que percorre algumas ruas da paróquia com dezenas de crianças e adultos figurados, várias bandeiras e estandartes de dimensões gigantescas mostrando motivos alusivos à Paixão, envolvendo milhares de pessoas, umas que participam, outras que assistem, vindas de todos os cantos das paróquias vizinhas. Termina na igreja paroquial com uma breve alocução alusiva à tribuna que se abre e que mostra 'ao vivo' as imagens do calvário.

 

QUINTA-FEIRA SANTA. Começa com a Missa solene do LAVA-PÉS em que se repete a cena de Cristo lavando os pés aos seus discípulos. No final realiza-se a procissão do 'ECCE HOMO' que percorre outras ruas da paróquia. Sai à noite com as imagens do Senhor da Cana Verde e da Senhora da Soledade, conduzidas por lanternas quase cegas que se alumiam em archotes que pendem pelos caminhos. Nesses caminhos que percorre, é celebrada a via sacra, representada 'ao vivo' pelo povo que despe as suas roupas e com os corpos mais ou menos nus imitam os passos mais importantes da Paixão de Cristo. Todos seguem depois em procissão para a igreja paroquial onde aí se proclama o sermão do 'Ecce Homo'.

 

SEXTA-FEIRA SANTA. Começa, à tarde, com a cerimónia da ADORAÇÃO DA CRUZ. E, antes do cair da noite, a imagem de Cristo morto, colocado em esquife esmeradamente adornado e perfumado - à semelhança do que fizeram as Santas Mulheres de Jerusalém ao seu Senhor que foi morto - permanece na igreja ate à hora da noite em que sai em procissão - o ENTERRO DO SENHOR. Percorre outras ruas da paróquia, acompanhada por figurados de vestes tristes e quaresmais, de rostos cobertos que se fundem no escuro da noite apenas alumiado, novamente, por pálidas e cegas lanternas que se guiam pelo alumiar triste de archotes que ardem pelas bermas e que anunciam envergonhados o Cristo que mataram. Passa num silêncio estremecedor apenas cortado por tristes ritmos e tocares duma música que o acompanha e convida à interiorização e à meditação.

 

Termina na igreja paroquial com o SERMÃO DO ENTERRO.

SÁBADO DA ALELUIA. É a apoteose da Paixão de Cristo Ressuscitado simbolizada na MISSA DA ALELUIA que antecede o Domingo de Páscoa e da vitória de Cristo sobre a morte. A tribuna mostra agora Cristo ressuscitado que se regue em glória e triunfo.


A confraria celebra ainda anualmente a festa do CORPO DE DEUS com tríodo preparatório e procissão eucarística.

 

Certamente, desde a sua fundação, muitas foram as pessoas que contribuíram e trabalharam para o engrandecimento e enriquecimento desta irmandade do Santíssimo Sacramento de S. Martinho de Sande.

 

Sem esquecer os demais porque já se não conhecem, e como préstimo de homenagem se referem os últimos que passaram pela mesa da confraria:Até 1971, António da Silva, Manuel de Carvalho e António Xavier da Costa.Desde essa data e até à actualidade, Joaquim Ferreira, Manuel Mendes, Domingos Silva Pinheiro, António Freitas, Joaquim Marques, Francisco Oliveira Silva, Domingos Oliveira, Manuel da Silva, Francisco Oliveira e José Lopes Levadas.